Evolução de variáveis do ciclo brasileiro



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*Variáveis em negrito estão expressas em variação interanual. As demais, são consideradas estacionárias por construção. Fonte: FGV IBRE, exceto os dados de emprego e renda (IBGE).


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*Todas as variáveis estão em nível e na mesma base (2011 = 100). Fonte: FGV IBRE, exceto PIMPF, PMS e PMC (IBGE).







Última atualização em
Indicadores da FGV IBRE


* Variação em percentual **Variação em percentual sobre o mesmo período do ano anterior

O Comitê

O CODACE é um comitê independente criado em 2004 com a finalidade de determinar uma cronologia de referência para os ciclos econômicos brasileiros, estabelecida pela alternância entre datas de picos e vales no nível da atividade econômica. A datação de ciclos vem sendo realizada pelo Comitê com base em estatísticas econômicas expressas em nível, ou seja, cada ponto de virada (pico) do ciclo equivale ao final de um período de expansão, que será seguido, no trimestre seguinte, pelo início de uma recessão; cada ponto de virada (vale) equivale ao trimestre final de uma recessão, a ser seguido, no trimestre seguinte, pelo início de uma expansão econômica. O ciclo econômico expresso em nível é também conhecido como ciclo de negócios.


O comitê é formado atualmente por seis membros com notório conhecimento em ciclos econômicos:

  • Affonso Celso Pastore (Coordenador, Diretor da AC Pastore & Associados)
  • Edmar Bacha (Diretor, Iepe - Casa das Garças)
  • Fernando Veloso (Professor, FGV EPGE e FGV IBRE)
  • João Victor Issler (Professor, FGV EPGE)
  • Marcelle Chauvet (Professora, Universidade da Califórnia)
  • Marco Bonomo (Professor, Insper)
  • Paulo Picchetti (Professor, FGV EESP e FGV IBRE)

Cronologia de Ciclos da Economia Brasileira



A determinação de ciclos econômicos por um comitê independente contribui para dar maior eficiência às políticas econômicas governamentais e à alocação de recursos no âmbito privado, além de servir como referência para pesquisas acadêmicas. A forma de organização e método de trabalho do CODACE segue o modelo adotado em muitos países, com destaque para o Comitê de Datação norte-americano, criado em 1978 pelo National Bureau of Economic Research (NBER). As decisões do Comitê são tomadas com base na análise do conjunto mais abrangente possível de variáveis estatísticas disponíveis, considerando os pontos de vista de seus membros.






Relógio do Ciclo

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O Relógio de Ciclo de Econômico foi elaborado para melhor apresentação dos ciclos de negócio, flutuações da atividade econômica em torno de seu nível de potencial a longo prazo e como alguns indicadores econômicos principais interagem com o ciclo de negócios. Uma ferramenta dinâmica que nos permite perceber o comportamento principal, coincidente, antecedente ou posterior dos indicadores apresentados.


No quadro acima, as séries dos Indicadores da FGV IBRE que ajudam a mapear os principais setores da economia. Estão presentes no gráfico: Índice de Confiança Empresarial (ICE), Índice de Confiança da Indústria (ICI), Índice de Confiança de Serviços (ICS), Índice de Confiança do Comércio (ICOM), Índice de Confiança da Construção (ICST), Indicador Coincidente Composto da Economia (ICCE) e Indicador Antecedente Composto da Economia (IACE). Todas as séries foram filtradas para a extração da tendência ciclo, transformando assim, em séries mais bem comportadas.

O desenvolvimento cíclico das séries é apresentado em quatro fases. A base do relógio é um diagrama que tem como eixo horizontal mostrando o nível da série ciclo de cada série e o eixo vertical mostrando a evolução mensal da série ciclo. Cada um dos quadrantes tem um significado.

  • Quadrante 1: Série acima do nível médio da série ciclo e com evolução favorável na margem;

  • Quadrante 2: Série continua acima do nível médio da série ciclo, mas depois de ter atingido um pico agora está se movendo gradualmente para baixo, apresentando variações negativas na margem;

  • Quadrante 3: Série abaixo do nível médio da série ciclo e quedas consecutivas na margem caminhando para um vale;

  • Quadrante 4: Série gradualmente começa a subir, saindo desse vale com números positivos na margem, mas ainda se encontra abaixo do nível médio da série ciclo.

Cada uma dessas fases descritas está na figura acima de modo correspondente de acordo com a numeração dos quadrantes. De maneira geral, ao longo do tempo, os indicadores movem-se no senti anti-horário, de uma fase para outra. Não existe regra geral e definida sobre quanto tempo pode durar um ciclo completo.



Bibliografia sugerida

Papers publicados e Working papers selecionados:



Publicações

Artigos de Jornal e Blog:

Descomplicando o Ciclo Econômico

Os ciclos econômicos são flutuações no nível de atividade inerentes ao funcionamento das economias de mercado. As motivações para sua ocorrência são motivo de amplo debate entre diferentes correntes de economistas. Há o grupo que dá ênfase a aspectos endógenos como oscilações na oferta de moeda ou nos níveis das taxas de juros e à instabilidade nos gastos com investimentos produtivos e no consumo de duráveis. Outra corrente dedica maior atenção aos choques de oferta, que afetam preços de insumos, tecnologia e produtividade.

Existem também formas diferentes de se monitorar os ciclos econômicos. As mais conhecidas são: os ciclos de negócios, ciclos de crescimento e os ciclos de taxas de crescimento.

A modalidade mais conhecida é o chamado ciclo de negócios (business cycle em inglês), em que um ciclo é determinado por fases de expansão ou recessão econômica. O modelo mais conhecido é o chamado de ciclo de negócios (ou business cycle). Um dos conceitos clássicos de ciclos de negócios foi criado por Burns e Mitchell (1946), pesquisadores do NBER:


"Ciclos de negócios são um tipo de flutuação encontrada na atividade econômica agregada de nações que organizem seu trabalho principalmente em empresas privadas: um ciclo consiste de expansão ocorrendo simultaneamente em muitas atividades econômicas, seguidas de fases similares de recessões, contrações e recuperações, as quais se consolidam em uma fase de expansão do próximo ciclo. Essa sequência de mudanças é recorrente, mas não periódica. Em termos de duração, os ciclos econômicos variam de mais de um ano a dez ou doze anos (...)" (tradução livre)

Segundo Romer (1999), os ciclos de negócios de se tornaram mais longos após a Segunda Guerra Mundial. Esta tendência associada à evolução tecnológica e ao aumento da complexidade dos mercados levou a um gradual aumento do interesse nas oscilações no ritmo da economia ao longo de períodos de crescimento. Daí o interesse crescente nos ciclos de crescimento, em que fases de aceleração se contrapõem a fases de desaceleração.

As séries de referência para acompanhamento dos ciclos de crescimento são normalmente obtidas por meio da aplicação de filtros visando à decomposição estatística das séries representativas de nível de atividade em seus componentes de tendência e ciclo.

Uma variante do ciclo de crescimento é o ciclo da taxa de crescimento (growth rate cycle), expresso geralmente pela variação interanual de um índice representativo do nível de atividade econômica. Em relação ao ciclo de crescimento tradicional, esta modalidade apresenta a vantagem de prescindir de filtros.

O Gráfico 1 mostra a diferença entre o acompanhamento das diferentes óticas usando a mesma série (PIB do Brasil no período indicado no gráfico).






Outras características dos ciclos


Um ciclo econômico se completa com a ocorrência das duas fases: ascendente e descendente. No ciclo de negócios clássico, a duração das fases de expansão costuma superar a das fases de recessão. Na economia brasileira, por exemplo, entre 1980 e 2019 foram registrados 9 ciclos segundo a datação do CODACE, com períodos de expansão durando, em média, 34 meses e períodos de recessão durando 19 meses.

No ciclo de negócios, mais estudado e conhecido, a economia passa por quatro estágios: expansão, pico, recessão e vale.




Estágios do ciclo


Expansão: na fase de expansão o crescimento do nível de atividade é disseminado na produção e venda de diferentes setores e, do lado da demanda, de variáveis como emprego e salário.

Pico: após o nível de atividade desacelerar, a fase de expansão atinge seu pico, momento de transição para a fase de recessão. Como, na maioria das vezes, o momento exato da mudança de fase não é determinado, assume-se que o período de ocorrência do pico (ex: primeiro trimestre de 2014) seja o último da fase de expansão.

Recessão: durante uma recessão a economia observa queda do nível de atividade espalhada entre os setores, afetando fatores como a produção, vendas, emprego e salário.

Vale: o nível mínimo alcançado durante a recessão é chamado de vale do ciclo, correspondente ao último trimestre de recessão, que será seguido por um novo ciclo iniciando por uma fase de expansão econômica.




Indicadores compostos de ciclo


Os indicadores antecedentes compostos do ciclo econômico são muito populares em função de sua eficiência em antecipar os pontos de virada (turning points) da atividade econômica, ao contrário da preocupação com a aderência sistemática em relação à série de referência, como nos modelos econométricos tradicionais. Segundo Lahiri e Moore (1991), “sinais antecipados de recessão ou de recuperação da economia são de grande interesse a empresários, gestores de política econômica, gente à procura de emprego e investidores”. Esta proposição seria válida tanto para os ciclos de negócios quanto para os ciclos de crescimento.

O sucesso destes indicadores parece estar também relacionado à sua capacidade de combinar variáveis de natureza variada, tornando-os versáteis na identificação de diferentes tipos de choque ou das motivações para a ocorrência de mudança de fase de ciclos.

Há no mundo sistemas de indicadores conhecidos tendo como referência ambas as modalidades mais populares de expressão do ciclo. O sistema de indicadores antecedentes da OCDE para XXX países tem como referência o ciclo de crescimento. Já os indicadores antecedentes do The Conference Board para YYY países usa como referência o ciclo de negócios clássico.

No Brasil, a FGV IBRE produz mensalmente o IACE (Indicador Antecedente Composto da Economia) e o ICCE (Indicador Coincidente) em parceria com o The Conference Board (TCB). Além destes, produz também o Indicador Antecedente de Emprego (IAEmp) construído a partir da identificação de um ciclo comum a diversas variáveis com perfil antecedente extraídas de suas sondagens de tendência.




Sondagens de tendência


As sondagens de tendência são pesquisas mensais muito usadas por analistas que monitoram os ciclos econômicos por diversos motivos, dentre os quais: i) são divulgadas no mesmo mês da pesquisa de campo; ii) não são revisadas; iii) possuem características de antecedência.

No sistema de indicadores de ciclo econômico da OCDE, por exemplo, há variáveis de origens diversas, mas uma grande assiduidade dos indicadores extraídos de sondagens. Campelo (2019) afirma que de 245 séries presentes nos indicadores antecedentes daquela instituição em março de 2016, 91 (ou 37%) eram retiradas de sondagens, 63 eram indicadores financeiros e 91 eram de outras origens.

No Brasil, a FGV IBRE mantém um sistema de sondagens mensais que reproduz as melhores práticas recomendadas pela ONU, OCDE e Comissão Europeia, tanto no formato de aplicação de questionários quanto na abrangência temática – são produzidas sondagens para a Indústria, Serviços, Comércio, Construção e, do lado da demanda, a do Consumidor. Além destas, a FGV IBRE possui parceria com o Instituto Ifo, da Alemanha, para produção da Sondagem Econômica da América Latina, feita com especialistas econômicos.





Quem somos

O Instituto Brasileiro de Economia (IBRE) foi criado em 1951. É a unidade da Fundação Getulio Vargas (FGV) que tem por missão pesquisar, analisar, produzir e disseminar estatísticas macroeconômicas e pesquisas econômicas aplicadas, de alta qualidade, que sejam relevantes para o aperfeiçoamento das políticas públicas ou da ação privada na economia brasileira, estimulando o desenvolvimento econômico e o bem-estar social do país.

Desde a sua criação, o IBRE desenvolve estudos sócio econômicos, pesquisas, análises e diversos indicadores baseados no levantamento de dados econômicos, financeiros e empresariais. Entre as estatísticas econômicas produzidas pelo IBRE destacam-se os índices de preço e os indicadores de tendências e ciclos de negócio, de ampla utilização por estudiosos, analistas da economia brasileira e gestores na esfera pública e privada.













As manifestações expressas por integrantes dos quadros da Fundação Getulio Vargas, nas quais constem a sua identificação como tais, em artigos e entrevistas publicados nos meios de comunicação em geral, representam exclusivamente as opiniões dos seus autores e não, necessariamente, a posição institucional da FGV. Portaria FGV Nº19